A Educação em Salvador

O Brasil conta com algumas das melhores universidades da América Latina, porém passar nos difíceis exames de admissão à faculdade, o vestibular, é algo intransponível para a maioria dos estudantes negros brasileiros de baixa renda. Na Bahia, cerca de 70% da população é de origem africana, porém mais de 80% dos alunos que concluem o curso superior são brancos da classe alta.

O Brasil é conhecido como a terra do sol, do futebol e do samba, mas apesar das inúmeras contribuições afro-brasileiras para a cultura do país, seus representantes ficam aquém de outros grupos quanto aos principais indicadores sociais do Brasil. Essa é a população mais pobre, socialmente excluída, aprisionada por um ciclo de discriminação sistêmica velada, porém opressiva.

A distribuição da riqueza no Brasil é uma das mais desiguais do mundo. A pobreza afeta cerca de 50% da população brasileira sendo que os mesmos 50% dividem entre si nada mais do que 15% da riqueza nacional, enquanto os 10% mais ricos possuem mais da metade da fortuna do país. Salvador, na Bahia, é a terceira maior cidade do Brasil, e foi a capital do mercado de escravos nas Américas. Hoje em dia, essa cidade do nordeste do país ainda é predominantemente de afrodescendentes, e a desigualdade herdada continua arraigada em uma sociedade onde classe e raça geralmente são definidas pelas mesmas linhas.

Nesta situação, em que os jovens carecem de oportunidades e já enfrentam tantos obstáculos à sua frente, a educação é uma das principais formas de saída. A chance de fazer faculdade dá a esses jovens de talento uma incrível oportunidade e a possibilidade de subirem na vida e saírem da pobreza.